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#03
ABAPORU
O quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral (1918-1973), é a obra brasileira mais cara já comercializada no mercado internacional. Em 1963, a mulher de pés gigantes e cabeça minúscula, pintada em cores tropicais, estava avaliada em US$ 22 mil. Em 1984, a obra foi adquirida por US$ 250 mil e, em 1995, novamente colocada à venda, em um leilão em Nova Iorque. Foi então arrematada pelo empresário argentino Eduardo Costantini, pelo valor de US$ 1,25 milhão.

Abaporu (1928)
Costantini diz que hoje o quadro não tem mais preço, tendo recusado a oferta de US$ 10 milhões, feita por um grupo de empresários brasileiros que quiseram levá-lo de volta ao Brasil. O colecionador compara o Abaporu a quadros que entraram para a eternidade, como Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, e Retrato de Adele Bloch-Bauer I (conhecido como “Adele de ouro”), do austríaco Gustavo Klimt. A Mona Lisa, pintada em 1503, é uma das principais atrações do Museu do Louvre, em Paris, reconhecida como uma das obras-primas da arte universal; Retrato de Adele Bloch-Bauer I foi pintado em 1907 e vendido, em 2006, por US$ 135 milhões, tornando-se o quadro mais caro da história da arte.
O Abaporu - homem que come gente, em tupi-guarani -é um marco na história da arte brasileira e, no contexto do modernismo brasileiro, a contribuição de Tarsila do Amaral foi uma das mais inovadoras e criativas, e sua produção dos anos 1920 é considerada essencial para a compreensão do período. O quadro foi pintado em 1928, como presente de aniversário de Tarsila ao escritor Oswald de Andrade, seu marido à época. Além de batizar a obra, Oswald nela se inspirou para a formulação do Manifesto Antropofágico. O quadro está, portanto, na origem do chamado Movimento Antropofágico, pedrafundamental do modernismo brasileiro, que propunha “deglutir” a cultura européia, então predominante na cena artística brasileira, em prol de uma pura arte nacional e da necessidade da volta às raízes.

Retrato de Tarsila do Amaral
O Malba emprestou o Abaporu pela primeira vez desde a sua aquisição para integrar a mostra Tarsila viajante, organizada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo e por Base 7 Projetos Culturais, e que teve por curadora Regina Teixeira de Barros. O empréstimo tornou possível que, pela primeira vez, fossem exibidas juntas as três peças emblemáticas de Tarsila do Amaral: A Negra, Antropofagia e Abaporu. Conforme informou a imprensa brasileira, o Abaporu foi a grande estrela dessa importante exposição.

Antropofagia (1929)
No período de 28 de março e 2 de junho, o público de Buenos Aires teve a oportunidade de ver essa mesma mostra, no Malba, sob o nome de Tarsila viajera. Tratou-se da primeira retrospectiva de Tarsila do Amaral já realizada na Argentina, tendo reunido oitenta obras da artista, entre pinturas e desenhos provenientes de coleções públicas e privadas do Brasil, e incluido as séries mais importantes de sua produção: os desenhos de viagens pelo interior do Brasil, notadamente pela zona de Minas Gerais e Rio de Janeiro, das várias viagens pelo exterior e, muito especialmente, do período antropofágico e as ilustrações para a revista Pau Brasil.

Tarsila Viajera:
Na inauguração da mostra, Eduardo Constantini, Regina Teixeira de Barros, curadora e Marcelo Araujo, diretor da Pinacoteca de São Paulo, diante das obras Abaporu e A Negra.

Os detalhes dessa mostra histórica estão disponíveis na página eletrônica do MALBA (www.malba.org.ar) e também no site oficial de Tarsila do Amaral (www.tarsiladoamaral.com.br).
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